Ricardo Lengruber Lobosco

Artigos do Prof. Ricardo Lengruber Lobosco docente de Teologia no Instituto Metodista Bennett no Rio de Janeiro e docente de Filosofia na Faculdade de Filosofia Santa Dorotéia em Nova Friburgo e-mail: ricardo@lengruber.com



Segunda-feira, Novembro 03, 2003

Profissão: Profeta

Profetizar é uma arte!
Sim, trata-se de obra artística a profecia. E isso em qualquer sentido que se entenda o termo.
Não artistas aqueles que conseguem ludibriar seu público com palavras e gestos encantadores, inebriantes?
Mas, não obstante a arte da ilusão, profecia é obra de arte por algumas outras razões. A primeira porque obra é algo realizado apenas por quem consegue transformar. Os artistas plásticos, escultores e arquitetos nos ensinam quão belo é projetar. Vislumbrar antes de existir a obra acabada. Ou melhor, ver antes da obra pronta, mas nunca acabada. A completar-se na visão dos outros; a plenificar-se no deleite do próximo.
Uma outra razão se deve ao fato de que a arte é algo estranho a esse mundo. Você já percebeu que os artistas estão sempre na contra-mão da história? Ou, quem sabe, estão na direção acertada, enquanto os mortais desfilam logicamente rumo ao fim, ao ponto final.
Há uma tela de Edward Munch chamada O Grito. Enquanto as superpotências do mundo afirmavam-se pela força, pelas armas e pelo ¿progresso¿, o artista gritava pelos sons das cores e chocava os modernos tanques da Segunda Guerra e os poderosos aviões de combate. Interessante: os aviões caíram, os tanques enferrujaram, os soldados tornaram-se anônimos, mas Munch continua gritando.
Ludwig van Beethoven, quando se descobriu surdo, passou a compor como ninguém mais faria igual. Seu lamento, sua dor, suas paixões e sua bravura constroem verdadeiras casas para se morar. É como se pudesse voltar para aquele lugar de onde nunca deveríamos ter saído. Os sons de Beethoven são imagens pintadas na alma. Acho que foi por isso que a NASA, quando enviou uma sonda para o universo sideral, sem rumo e sem destino, levando consigo informações sobre essa pequena poeira celeste chamada Terra, escolheu a Nona Sinfonia para exemplificar o que chamamos de Música. Beethoven morreu sem ouvi-la, mas não sei se alguém conseguiria viver sem ouvi-la. Parece que ela sempre existiu.
Quando Michelangelo esculpiu o Moisés, ele fitou-o e disse-lhe: ¿Parla!¿
O artista só consegue obrar o que tem vida. Não porque ele seja capaz de fazê-la. Mas porque é alguém que consegue mergulha-la.
Acho que era por isso que os hebreus, quando explicavam suas origens, diziam que Deus criou o mundo. O verbo criar (bara¿) só tem como sujeito o próprio Deus. Qualquer obra humana nada mais é que a participação na criação divina. Não sei se somos a imagem e a semelhança de Deus ou vice-versa, mas o fato é que em se tratando de Arte, ninguém melhor que Deus-homem, ou, se preferirem, Homem-deus.
O profeta é um artista por causa de tudo isto. E não concordo com o discurso dos teólogos que reclamam para si o título de profetas, alegando serem mais que meros profissionais da religião.
Isso não faz sentido nenhum. Teólogos querem entabular discursos sobre Deus. Querem fazê-Lo inteligível. Acho uma bela, mas inviável, pretensão. Deus, a despeito de toda racionalidade da Criação, é Mistério. Aquele abismo sem fim que quanto mais fundo se mergulha, mais há para se descobrir e se encantar. Deus é infinito!
Profetas são diferentes. São seres capazes de professarem-se ao mundo, revelarem-se. São capazes de deixar sua alma à flor da pele. Se me permitem, parafraseando o Chico, ser profeta é ¿não ter certeza e nunca ter, não ter conserto e nunca ter, não ter tamanho ... é viver nas idéias dos amantes, e cantar como os poetas mais delirantes e jurar como os profetas embriagados ... é viver nas fantasias dos infelizes ... é não ter vergonha, não ter juízo ... em todos os sentidos ... é o que não faz sentido.¿
Profeta, mais que ocupação, é profissão, por que é dizer-se! É ser artista de si mesmo! Profeta, profissão, professar-se. Profetizar é confessar de si ao seu mundo, seu palco.
Os profetas são cozinheiros para os paladares mais refinados. Cozinham o arroz e feijão do cotidiano com sabores de mel, ou, mui constantemente, de fel. Temperam com sorrisos de esperança molhados pelas lágrimas da indignação e assam suas palavras no forno do Tempo.
O Talmude Judaico diz que um homem só o é verdadeiramente depois de plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho.
Profetas são homens na acepção mais límpida da palavra. São humanos! Plantam árvores sob cujas sombras provavelmente nunca vão refrescar-se. Escrevem livros inteiros sem uma folha de papel. Têm filhos como as estrelas do céu ¿ para onde enviaram a Nona de Beethoven ¿ ainda que possam ser estéreis.
A fertilidade do profeta está na sua ¿articidade¿. Não sei se esta palavra existe, mas não encontrei outra melhor. Ser profeta é ser capaz de fazer arte como fazem-na as crianças.
Profetizar, eu disse acima, é uma arte. Menti só para que me suportassem até aqui. Afinal de contas ...
Profetizar, infelizmente, tornou-se, na instituição chamada Igreja, prestação de serviços religiosos, emocionais. Dizer o que se quer ouvir. Ouvir apenas o que já se está cansado de repetir.
Há até quem acredite nos adivinhos. Mas o poeta ¿ ou se quiserem, o profeta ¿ Toquinho já alertava que

¿o futuro é uma astronave que tentamos pilotar Não tem tempo, nem piedade, nem tem hora de chegar. Sem pedir licença muda a nossa vida E depois convida a rir ou chorar. Nessa estrada, não nos cabe conhecer ou ver o que virá. O fim dela ninguém sabe ao certo onde vai dar. Vamos todos juntos numa passarela de uma aquarela. Que um dia enfim descolorirá.¿

Poetar, isso sim, é uma arte! Poetas, esses sim, são artistas!
Os profetas de Israel possuíam uma estranha relação de amor e ódio para com o Templo, para com a religião institucionalizada. Quando se tratava dos primórdios da História israelita, homens como Elias, Gad ou Natan tinham uma clara e simples oposição a religião de Baal. Tratava-se da oposição mediante o projeto salvífico de Iahweh. Mais tarde, quando Israel já se configurava como uma nação razoavelmente organizada, homens como Isaias, Ezequiel e Amós ou Hulda, a profetiza, forjaram suas palavras numa contumaz denúncia dos abusos do Templo e do Palácio.
Mas, quando eu digo que os Profetas são, na verdade, Poetas, estou querendo resgatar duas coisas que me parecem muito importantes.
A primeira tem a ver com Inspiração.
Os Profetas são homens cheios do Espírito.

¿Do tronco de Jessé sairá um rebento, e das suas raízes, um renovo. Repousará sobre ele o Espírito do SENHOR, o Espírito de sabedoria e de entendimento, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do SENHOR.¿ (Is. 11,1-2)

Ocorre que Inspiração, por mais abstrato que pareça, é algo que faz a diferença essencial entre A Palavra e as demais palavras.
Cecília Meireles, talvez, consiga nos ajudar a entender:

¿Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
Ai, palavras, ai, palavras,
sois de vento, ides no vento,
no vento que não retorna,
e, em tão rápida existência,
tudo se forma e transforma!

A intuição mais remota da Igreja sempre desconfiou que a Palavra é mais que uma sucessão de caracteres a formar uma unidade de som, de fala, de sentido ... Hipólito, falando dos profetas, dizia: ¿Neles habitava o Verbo, falando de si mesmo; já então ele era arauto de si mesmo, mostrando que o Verbo apareceria entre os homens¿. Garnier, no sexto sermão sobre o Natal, já poetava: ¿Antigamente, Deus nos escreveu um livro, encerrando em muitas palavras, uma única; hoje, nos abre o livro, em que numa palavra condensa muitas ...¿
É como se pudesse dizer que a Palavra existe. Existe independente do Tempo e do Espaço. Ela está. Ela é. Ela quer revelar; quer revelar-se.
Drummond, acho que sofreu desse dilema:

¿Gastei uma hora pensando um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.¿

Acho que inspiração é o que inunda de tal forma que as formas lógicas e complexas não passam de relatórios burocráticos. Não satisfazem.
Quando disse que os Profetas são Poetas, estava querendo resgatar duas coisas que me pareciam muito importantes.
A primeira tinha a ver com Inspiração.
A segunda tem a ver com as três pedras sobre as quais se constrói o altar profético: a renúncia, a denúncia e o anúncio.
Semelhante aos Poetas, os Profetas são inveterados profissionais da renúncia. Diferente das mãos lavadas de Pilatos, a renúncia profética/poética está na mais absurda e ácida constatação da solidão.
Elias quis a morte porque já não sabia mais que caminho tomar. Engraçado: quis a morte para salvar a vida!

¿Temendo, pois, Elias, levantou-se, e, para salvar sua vida, se foi, e chegou a Berseba, que pertence a Judá; e ali deixou o seu moço. Ele mesmo, porém, se foi ao deserto, caminho de um dia, e veio, e se assentou debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte e disse: Basta; toma agora, ó SENHOR, a minha alma, pois não sou melhor do que meus pais. Deitou-se e dormiu debaixo do zimbro.¿ (I Rs 19, 3-5).

Sören Kierkegaard experimentou algo semelhante, mais de uma maneira menos pessimista. Ao orar, declarava-se como um amante:

¿Eu, esquecer-te!
Será pois o meu amor uma obra de memória?
Ainda que o tempo apagasse tudo das suas ardósias,
mesmo a própria memória,
as nossas relações manter-se-iam tão vivas como sempre, não te esqueceria.
Eu, esquecer-te!
De que lembrar-me então?
Pois se me esqueci de mim próprio
para me lembrar de ti;
se te esquecesse, logo seria obrigado
a recordar-me de mim próprio e,
ao fazê-lo, ia recordar-me instantaneamente de ti.¿

No caso de Jeremias, a situação é mais triste. Ainda que o Profeta tentasse, foi Deus que renunciou ouvi-lo.

¿Tu, pois, não intercedas por este povo, nem levantes por ele clamor ou oração, nem me importunes, porque eu não te ouvirei. Acaso, não vês tu o que andam fazendo nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém?¿ (Jr 7, 16-17)

Por fim, o Profeta é como o Artista cuja pele é vestida pelo Senhor Tempo. Impiedoso e soberano, não há quem consiga deixar de renunciar a si mesmo diante dele.
Chico Buarque conseguiu exprimir bem o destino dos Profetas/Artistas:

Imagino o artista num anfiteatro
Onde o tempo é a grande estrela
Vejo o tempo obrar a sua arte
Tendo o mesmo artista como tela.

Modelando o artista ao seu feitio
O tempo, com seu lápis impreciso
Põe-lhe rugas ao redor da boca
Como contrapesos de um sorriso.

Já vestindo a pele do artista
O tempo arrebata-lhe a garganta
O velho cantor subindo ao palco
Apenas abre a voz, e o tempo canta.

Dança o tempo sem cessar, montando
O dorso do exausto bailarino
Trêmulo, o ator recita um drama
Que ainda está por ser escrito.

No anfiteatro, sob o céu de estrelas
Um concerto eu imagino
Onde, num relance, o tempo alcance a glória
E o artista, o infinito!

Semelhante aos Poetas, os Profetas são intransigentes profissionais da denúncia.
Enquanto se acreditava na misericórdia irresponsável de Deus ¿

¿Vinde, e tornemos para o SENHOR, porque ele nos despedaçou e nos sarará; fez a ferida e a ligará. Depois de dois dias, nos revigorará; ao terceiro dia, nos levantará, e viveremos diante dele. Conheçamos e prossigamos em conhecer ao SENHOR; como a alva, a sua vinda é certa; e ele descerá sobre nós como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra. (Os 6,1-3)

¿ o profeta advertia que mais certa que a chuva que rega a terra era a inconstância irreverente dos filhos de Judá ¿

¿Que te farei, ó Efraim? Que te farei, ó Judá? Porque o vosso amor é como a nuvem da manhã e como o orvalho da madrugada, que cedo passa. Por isso, os abati por meio dos profetas; pela palavra da minha boca, os matei; e os meus juízos sairão como a luz. Pois misericórdia quero, e não sacrifício, e o conhecimento de Deus, mais do que holocaustos. Mas eles transgrediram a aliança, como Adão; eles se portaram aleivosamente contra mim.¿ (Os6,4-7)

Perenes como nenhum programa social premiado de governos liberais, democratas, socialistas ou comunistas, são as ávidas denúncias rimadas de Vinícius de Moraes:

¿Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um
templo Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.

Acho que era isso o que Isaias reclamava com tanta bravura, quando bradava pelas ruas de Jerusalém:

¿Criei filhos e os engrandeci, mas eles estão revoltados contra mim. (...) Ai desta nação pecaminosa, povo carregado de iniqüidade, raça de malignos, filhos corruptores; abandonaram o SENHOR, blasfemaram do Santo de Israel, voltaram para trás. Por que haveis de ainda ser feridos, visto que continuais em rebeldia? Toda a cabeça está doente, e todo o coração, enfermo. (...) De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios? - diz o SENHOR. (...) Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e também as Festas da Lua Nova, os sábados, e a convocação das congregações; não posso suportar iniqüidade associada ao ajuntamento solene.(...) Pelo que, quando estendeis as mãos, escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue. Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer o mal. Aprendei a fazer o bem; atendei à justiça, repreendei ao opressor; defendei o direito do órfão, pleiteai a causa das viúvas.¿ (Is. 1, 2-17)

Embora o tom do discurso de Isaias pareça um tanto quanto religioso, talvez fosse essa uma das suas últimas preocupações. A chave do texto está na sentença em que Iahweh reclama: ¿quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue¿. Sangue de inocentes que pagavam os altos preços das oferendas templárias.
Manuel Bandeira teve a mesma sensibilidade quando pintou o quadro mais surrealista que já ouvi:

¿Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.¿

O mundo dos profetas não tem a beleza artificial dos meios de comunicação de massa; sejam as redes internacionais de TV ou a eficiente máquina religiosa de Jerusalém. O mundo dos profetas é cru. Sem sal e sem açúcar. As verdades desnudas perante os olhos. O mundo dos profetas é o mundo que precisa de conversão. Carece de novos rumos.
Semelhante aos Poetas, os Profetas são incorrigíveis profissionais do anúncio e da esperança.
Mais do que ranzinzas, os profetas sabem amar como amam os poetas.

¿Vai outra vez, ama uma mulher, amada de seu amigo e adúltera, como o SENHOR ama os filhos de Israel, embora eles olhem para outros deuses e amem bolos de passas. Comprei-a, pois, para mim por quinze peças de prata e um ômer e meio de cevada; e lhe disse: tu esperarás por mim muitos dias; não te prostituirás, nem serás de outro homem; assim também eu esperarei por ti.¿ (Os 3, 1-3)

Quem mais como um Poeta poderia ser resignado a ponto de amar com tanta singeleza. A limpidez das palavras de Drummond talvez tenham inspirado, na eternidade, a confissão de Oséias.

¿O amor é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar.¿

Mais que chorões, os profetas sabem fantasiar como fazem com genialidade as crianças. Sabem, graciosamente, acolher a vida como dom, sem exigências.

¿Penetra surdamente no reino das palavras. Lá estão os poemas que esperam ser escritos. Estão paralisados, mas não há desespero, há calma e frescura na superfície intacta. Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário. Convive com teus poemas, antes de escrevê-los. Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam. Espera que cada um se realize e consuma com seu poder de palavra e seu poder de silêncio. Não forces o poema a desprender-se do limbo. Não colhas no chão o poema que se perdeu. Não adules o poema. Aceita-o como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada no espaço. Chega mais perto e contempla as palavras. Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra e te pergunta, sem interesse pela resposta, pobre ou terrível, que lhe deres: Trouxeste a chave?¿ (Drummond)

Os profetas são mais que como as crianças. Os profetas são crianças:

¿Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e, antes que saísses da madre, te consagrei, e te constituí profeta às nações. Então, lhe disse eu: ah! SENHOR Deus! Eis que não sei falar, porque não passo de uma criança.¿ (Jr 1,5-6)

Mais do que críticos, os profetas sabem sonhar como sonham os heróis.
Lembro-me do discurso mais emocionante que, provavelmente, o Ocidente ouviu nos últimos 50 anos:

¿Digo-lhes, hoje, meus amigos, que apesar das dificuldades e frustrações do momento, ainda tenho um sonho. (...) Tenho um sonho que algum dia esta nação levantar-se-á e viverá o verdadeiro significado de sua crença. Afirmamos que estas verdades são evidentes; todos os homens foram criados iguais. (...) Tenho um sonho que meus quatro pequenos filhos viverão um dia em uma nação onde não serão julgados pela cor de sua pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Tenho um sonho, hoje. Tenho um sonho que algum dia (...) pequenos meninos negros, e meninas negras, possam dar-se as mãos com outros pequenos meninos brancos, e meninas brancas, caminhando juntos, lado a lado, como irmãos e irmãs. Tenho um sonho, hoje.(...)¿. (Martin Luther King)

Os profetas são aguerridos guerreiros em guerra com seu mundo, consigo mesmo, com seu Deus. Os profetas choram.

¿Um homem também chora,
Menina morena
Também deseja colo
palavras amenas
Precisa de carinho
Precisa de ternura
Precisa de um abraço
da própria candura
Guerreiros são pessoas
tão fortes, tão frágeis
Guerreiros são meninos
no fundo do peito
Precisam de um descanso
Precisam de um remanso
Precisam de um sono
que os tornem perfeitos
É triste ver meu homem
guerreiro menino
com a barra do seu tempo
por sobre seus ombros
Eu vejo que ele berra
Eu vejo que ele sangra
a dor que tem no peito
pois ama e ama
Um homem se humilha
se castram seus sonhos
Seu sonho é sua vida
e vida é trabalho
E sem o seu trabalho
o homem não tem honra
E sem a sua honra
se morre, se mata
Não dá pra ser feliz¿ (Gonzaguinha)

Os profetas são poetas pelo simples fato de sonhar; pelo simples gesto de crer num mundo onde Deus será Tudo em todos.

¿Pois eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá lembrança das coisas passadas, jamais haverá memória delas.¿ (Is 65,17)

postado por: RICARDO LENGRUBER LOBOSCO 9:12 AM




arquivo