Ricardo Lengruber Lobosco

Artigos do Prof. Ricardo Lengruber Lobosco docente de Teologia no Instituto Metodista Bennett no Rio de Janeiro e docente de Filosofia na Faculdade de Filosofia Santa Dorotéia em Nova Friburgo e-mail: ricardo@lengruber.com



Terça-feira, Agosto 26, 2008

Pessoas e postes ...

Nesse tempo de campanha eleitoral, há muito que se observar. Mais importante do que as campanhas explícitas dos candidatos, creio sejam as atitudes que norteiam os passos e as palavras dos mesmos.
É inegável que a lei eleitoral inibiu satisfatoriamente, por exemplo, os exageros irresponsáveis das campanhas. Já não se vê – como antes – ruas sujas por “santinhos”, paredes pintadas e coladas, placas espalhadas por todos os cantos. A poluição visual de uma campanha eleitoral diminuiu significativamente!
Mas tenho me incomodado com algo aparentemente sem importância para muitos. Fico constrangido com tanta gente segurando placas nos semáforos e nas esquinas da cidade. Foi uma maneira de não violar a lei e continuar nos submetendo ao massacre da publicidade desprovida de inteligência.
Se me provarem que são partidários que se interessam por política, acreditam em seus candidatos e trabalham para elegê-los, ficarei menos incomodado. Mas me parecem pessoas pagas para tal ocupação. Pior: parecem-me jovens e idosos (em sua maioria) desempregados que vêem na campanha a chance de ganhar uns trocados para a sobrevivência.
Não há nada de indigno nisso, se visto pelo lado de quem precisa trabalhar e não encontra chance no mercado. Mas se contemplado pelo ângulo de quem almeja um cargo político, a mim diz muita coisa.
Diz, por exemplo, o que pensa esse candidato sobre emprego e trabalho. Se, em campanha, que em geral se maqueia a realidade, o candidato é capaz de expôr um ser humano a horas ininterruptas segurando uma foto sua, imagine o que fará com uma caneta na mão para assinar contratos e acordos que redundem em realidade para a vida das pessoas.
Não posso crer que uma pessoa que usa adolescentes para balançar bandeiras de campanha (sem sequer um sorriso no rosto) seja uma pessoa que verdadeiramente respeite o ser humano!
Não posso concordar que uma campanha dependa de fotos e cartazes para eleger alguém. Campanha publicitária se faz para vender produtos e serviços e para tornar conhecida uma marca. Candidatos devem ser votados por “já” serem conhecidos e acreditados por sua comunidade. Candidatos não são marcas a serem escolhidas. Candidatos são pessoas nas quais acreditamos ou não!
Fico triste em saber que vivo num país em que pessoas têm de se submeter a hastear com seus corpos peças publicitárias. Lamento, porque isso diminui as pessoas e as leva ao lugar aonde trabalho não é sinônimo de produção, de serviço ou de doação. Trabalho passa a ser uma pena!
Preferiria votar em quem me mostrasse em campanha o valor que realmente dá ao trabalho humano, já que essa é uma área que, de modo consistente, pode mudar a vida e a sorte das famílias.
Preferiria votar em quem me convencesse que quer romper com o ciclo de sub-empregos e trabalhos indignos a que tem de ser submetida a maior parcela da população brasileira.
Se tivesse que escolher, preferiria votar em quem usasse postes em lugar de seres humanos!
Aos que precisam dessa ocupação, espero que tenham mais sorte em encontrar uma atividade segura que lhes dê trabalho e renda de forma mais duradoura.
Aos que julgam precisar dessa forma de propaganda para se elegerem, profiro, publicamente, meu lamento e minha indignação!

postado por: RICARDO LENGRUBER LOBOSCO 7:02 PM




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